Molek Freak! Um grito pela cultura das ruas

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Molek Freak bateu um papo com a equipe do Itu.com.br e contou alguns momentos interessantes da sua longa trajetória no mundos das artes

“Você só dança mesmo… não trabalha?”. Essa é uma pergunta que o arte-educador Erick Hermes, conhecido simplesmente pela alcunha “Molek Freak”, cansou de ouvir ao explicar a sua profissão para as pessoas que não o conhecem. Atuando como professor de break na Fundação Casa de Sorocaba (antiga Febem), o B.boy ituano tem levado a cultura da dança de rua a dezenas de jovens que se encontram em fase de reabilitação por terem cometido algum “crime”.

Conhecido no município e no meio artístico devido à organização de vários eventos voltados à cultura hip hop, Molek Freak começou a dançar em 83, quando ainda era criança. “Naquela época não tínhamos muita referência, então nos inspirávamos em alguns caras dançando na TV e tirávamos alguns passos de um e outro. Aí montávamos as nossas próprias coreografias”, conta o artista que, assim como a grande maioria dos dançarinos brasileiros, sofreu influências do Rei do Pop, Michael Jackson, do Papa do Soul, James Brown, e do filme flash dance.

Os anos foram passando e o break, assim como todas as outras danças originadas a partir da cultura urbana, foi se profissionalizado cada vez mais. O boom da Internet e a popularização do hip hop e do rap no Brasil (em meados dos anos 90) fizeram com que o movimento, até então restrito a poucos idealistas, ganhasse de vez as ruas e fizesse definitivamente a cabeça dos adolescentes. “Até 97 ninguém sabia nada no segmento de dança de rua porque não havia informação. A gente só começou a dançar de verdade quando o grupo nova-iorquino Rock Stead Crew veio ao Brasil fazer uma apresentação em um teatro de São Paulo… Hoje as coisas se tornaram mais fáceis e as coreografias bem mais complexas”.

O processo de massificação, no entanto, trouxe pontos positivos ao desenvolvimento do break e companhia: a descriminalização social do movimento. “Antigamente era pior. Éramos vistos como marginais pela sociedade. É verdade, porém, que a rixa entre determinados grupos contribuiu com essa visão distorcida. Até o início dos anos 90 a gente andava armado e arrumava brigas com outras gangues do break [como eram chamadas na época] para obter espaço.”

Freak realizou parte de seu sonho ao conhecer São Paulo em um período de sua vida e se envolver com algumas personalidades renomadas da cultura hip hop, como Alambeat (Sampa Crew) e Nelson Triunfo – um dos precursores da dança de rua no país. Em 2006, com o objetivo de movimentar a cultura no interior do estado, o B.boy organizou o primeiro festival de dança de rua em Itu, realizado na Associação Atlética Ituana, que investiu no projeto.

Rapidamente o projeto ganhou a cena, conseguiu apoiadores e se estendeu para os anos seguintes. O Inter Itu B.boys, como ficou conhecido, foi responsável por trazer grandes nomes do cenário independente à cidade. O crescimento do projeto, no entanto, fez com que a estrutura financeira exigisse cada vez mais. “Passamos por uma fase negativa. A falta de apoio exigiu que déssemos uma pausa na realização do evento em 2009. Infelizmente falta investimento no setor cultural dessa cidade. De qualquer forma, pretendemos voltar com tudo de agora em diante”, explica.

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