Falta de divulgação tira brilho da Virada Cultural

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DANÇA DE RUA BRASIL A primeira Virada Cultural proposta por Campinas foi morna. As 24 horas de intensa atividade cultural na cidade pegou o público de surpresa devido ao pouco tempo de divulgação. Das atrações programadas para o final de semana, apenas a região Central recebeu o maior público . Na noite de sábado, poucas pessoas acompanharam à performance do grupo de dança de rua Eclipse Cultura e Arte, na Estação Cultura. Os que apareceram na plataforma assistiram a um espetáculo pra lá de interativo, com passos de break de embaralhar a visão. Após a apresentação, que contou com a participação da plateia, o grupo foi aplaudido de pé.

Da mesma forma se estabeleceu na Praça de Esportes do DIC VI. O entusiasmo das bandas e da batida do forró era vibrante, mas a pista estava quase vazia. Uma pena. O casal Marcelo e Roberta de Lima, moradores das proximidades, arriscou um motivo para a falta de público. ‘A Secretaria de Cultura não se preocupou em fazer uma divulgação aqui no bairro. Ninguém soube do evento. Nós, viemos por acaso’ , disse ele.

Já nas atividades do Centro, o público foi maior. No Largo do Rosário, o jazz de grupos como Vinicius Corilow e Banda arrastou a família para praça. A cena mais comum do lugar era a de pais brincando com seus filhos na medida em que músicos tocavam. No Convivência, antes de acompanharem às apresentações de música instrumental, os espectadores fitavam por meio de um telescópio o planeta Júpiter. ‘A fila chegou a acumular 60 pessoas’ , contabilizou o astrônomo Júlio Lobo, o responsável pela observação.

Enquanto isso, a Praça Carlos Gomes recebeu casais à espera de canções de ontem. Que o diga Michel e Isabel Salomé, que ocuparam uma mesa bem em frente ao coreto. Como apreciadores da boa MPB, estavam ali por um único motivo: o show da dupla Antonio Carlos e Jocafi. ‘Eles nos remete a uma fase maravilhosa de nossa vida que foi a adolescência’ , disse Michel, todo animado. Após cantar a letra toda de Você Abusou, canção de maior sucesso da dupla baiana, o casal sentenciou: ‘Esses shows na praça deveriam ocorrer com mais frequencia.’

Em compensação, nas praças da Vila Padre Anchieta e do Campo Grande a Virada foi sucesso de plateia. Na primeira delas, o sertanejo rolou solto. Mais de dez duplas, algumas sucessos da programação da Rádio Tupi FM, desfilaram pelo palco, que contou ainda com o show do caipira Renato Teixeira. O repertório agradou quem resolveu passar ali algumas horas. ‘Se tocou viola, eu estou dentro’ , fez questão de frisar Paulo Signoretti, morador do bairro. Para o acompanhar na noitada, levou a mulher, Márcia. ‘As apresentações foram muito boas’ , avaliou a mulher.

Na Praça da Concórdia, no Campo Grande, os jovens eram maioria. A programação voltada a eles teve como ponto alto o show da Família Lima. Grudadas na grade de ferro, que separa artista do público, três fãs do grupo não pararam de gritar e de tirar fotos um minuto sequer durante o show. ‘Eles são maravilhosos’ , resumiu Nagila Ferreira, de 21 anos. Ao seu lado, as amigas Ana Maria Mariano e Drielle Mota completaram: ‘Maravilhosos na música e na beleza’ . Risos. ‘Aqui no bairro nunca tem nada. Quando tem um show desses, não podemos perder’ , lembrou Drielle.

A Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas se apresentou hoje (13/9), no Parque das Águas, no bairro Jambeiro. A apresentação, que começou às 10h, já havia iniciado quando a jovem Janaína Rodrigues Almeida, 24 anos, entrou no Parque trazendo a irmã mais nova, Letícia Almeida de Oliveira, 8 anos, a pedido de sua mãe. ‘Achei a música muito bonita, mas não reconheci nenhuma’ , disse a jovem, que mora no Parque Jambeiro e nunca havia assistido um concerto. ‘Se eu não tivesse vindo, provavelmente estaria limpando minha casa’ , presumiu a moça. O público vibrou ao som de peças do norte-americano Aaron Copland autor da Fanfarra (for a Common Man), de obras de Mozart como a abertura de ‘Bodas de Figaro’ , Wagner, Strauss e Rossini com a abertura do ‘Barbeiro de Sevilha’ durante uma hora de apresentação. E atendendo ao público, o maestro Parcival Módulo, regente adjunto da Sinfônica, executou uma musica extra.

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