Six Pack participa da grande final do concurso Dança de Rua 2011

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Formado por seis integrantes, o charme do Six Pack é a sua composição inteiramente feminina. Disputa acontece neste sábado, no programa TV Xuxa, na Rede Globo de Televisão

six packAs primeiras manifestações da dança de rua surgiram na época da grande crise econômica dos EUA, em 1929. Nessa época, músicos e dançarinos ficaram desempregados e foram para as ruas se apresentar. Quase 40 décadas depois, o cantor James Brown lançou essa dança através do funk. Vinculada ao hip hop, a dança de rua toma um outro sentido na história e em sua formação. Existem vários estilos dentro do hip hop, como o breaking, uma das vertentes do street dance, que explodiu em 1981. No Brasil, esses movimentos foram incorporados e aprimorados. O resultado disso se pode ver neste sábado, na grande final do concurso Dança de Rua 2011, da TV Xuxa, na Globo.

Entre os quatro finalistas está o grupo Six Pack, de Niterói, que concorre com o B.A.S.E, do Rio de Janeiro, o Cybernetikos Soul Street´s, de São Paulo, e o Nós da Rua, de Três Rios (Rio de Janeiro). Formado por seis integrantes, o charme do Six Pack é a sua composição inteiramente feminina. Juliana Donato, Marcele Pessanha, Mariana Vivas, Monique Soares, Paola Belmonte e Tatiana Nazario se uniram pouco antes do carnaval para entrar na competição.

“Nós formamos o grupo para participar do programa. Mas vamos manter essa formação. A única que vai nos deixar é a Mariana Vivas, que vai morar em Nova Iorque. O programa mudou a vida da gente. Eu respiro dança há 10 anos e dou aula há sete anos. Abri mão de muitas coisas para viver da dança. E agora estou conseguindo divulgar o meu trabalho junto com as meninas pela TV. Isso mostra as pessoas que se pode viver da dança dignamente”, afirma Paola Belmonte, de 29 anos, do Six Pack.

Apesar de ser carioca, o grupo B.A.S.E também dá aulas em Niterói. Formado há 1 ano por Bruno Williams, de 30 anos, todos os integrantes do grupo são pesquisadores e intérpretes em danças urbanas há mais de 10 anos. Os dançarinos já participaram de festivais na Coréia, nos EUA e em grande parte da Europa. Com base em danças urbanas, eles criam um estilo próprio entre diferentes segmentos do hip hop.

“É a primeira vez que o B.A.S.E participa do programa e para a gente está sendo maravilhoso. Foi uma surpresa conseguir a classificação para a final. Aos poucos nós vamos conquistando o nosso lugar ao sol. Aqui no Brasil algumas pessoas ainda não valorizam tanto a cultura. Mas o programa mostra nossa arte e mostra ainda que qualquer pessoa pode dançar. Brasileiro tem gingado no DNA”, conta Bruno.

Aos 14 anos de idade, Bruno Williams começou a dançar. Hoje, ele dá aulas em academias e também trabalha com produção de vídeo. Bruno ainda faz parte do Grupo de Dança de Rua de Niterói – o GRN. Ele, assim como a maioria dos integrantes do B.A.S.E. também trabalham coreografando celebridades como Alexandre Pires, Kelly Key e Perla.

“Meu sonho era ser jogador de futebol, mas a dança é uma filosofia de vida e me apaixonei. É a arte de se expressar com o corpo. Não tem preço dançar. E hoje nós trabalhamos com mais de 10 artistas. As pessoas vieram nos procurar porque conheceram nosso trabalho em audições e através do boca a boca. Fui coreógrafo do Latino em 97. O nosso trabalho é em cima do tamborzão do funk. Muita gente se identifica com isso e o resultado é super positivo”, afirma.

Muito suor e grandes batalhas
Aos 12 anos de idade, Everson Michel Silva Magnavita fundou o grupo Cybernétikos Soul Street’s, em 1999, em São Paulo. O jovem criou o grupo para mudar a rotina pobre que tinha. Autodidata na dança, ele se juntou aos amigos e os ensinou a dançar. Todos os integrantes do grupo trabalham. Alguns com dança, como Everson, que dá aulas em escolas e faz trabalhos sociais. O grupo também tem um projeto social o Dançar Cybernétikos Soul Street, que funciona sem apoio. Eles buscam jovens em comunidades, levam as pessoas para o espaço onde ensaiam e depois entregam os alunos de volta.

“A princípio, busquei a dança como diversão e depois ela se tornou minha profissão. A dança é um meio transformador. É um exercício que muda completamente o jovem. É uma ferramenta importante da sociedade para tirar muitas pessoas das drogas, por exemplo. Na minha vida, ela me deu tudo”, lembra Everson.

O grupo ensaia há oito anos no espaço cedido pelo Instituto Criança Cidadã – Comunidade San Reno, Butantã, Zona Oeste. Ano passado participaram do programa da Xuxa, o que foi super importante, ajudando a abrir portas e a correr atrás de apoio. Eles colecionam títulos pelo Brasil e representaram o País no Mundial de Hip Hop de Las Vegas de 2010. Também se classificaram para o mundial desse ano e esperam vencer o concurso para pagar as despesas da viagem.

“Estamos felizes em participar pela segunda vez do concurso. A garotada quer conhecer nosso trabalho. E o mais legal é que fui baixinho da Xuxa e meu filho gosta muito dela. A Xuxa é muito simpática e nos abriu muitas portas com esse concurso”, diz.

Há sete anos, Rafael dos Santos, de 25 anos, criou o Nós da Rua em Três Rios, no Rio de Janeiro. Ele é o único integrante que permanece até hoje. Rafael começou a dançar por hobby aos 12 anos, mas só aos 17 encarou a arte como profissão. Ele sempre foi incentivado da mãe. Todos os integrantes do grupo trabalham pesado para se manter, já passaram por várias fases, tiveram, inclusive, que ensaiar na praça por falta de espaço.

“É a nossa segunda participação no programa. Começamos a ter visibilidade por causa desse concurso. Quando vi a Xuxa me deu um frio na barriga enorme. Ela é uma pessoa super verdadeira, amorosa, uma artista completa. Posso dizer que eu vivia para dançar e que hoje danço para viver. A dança é tudo para mim. Já acordo de manhã cedo dançando e querendo dar aula”, conta Rafael, que revela o diferencial do Nós da Rua.

“Uso duas palavras: alegria e união. Temos muita alegria em cena e todos do grupo se gostam como irmãos. O tempo todo rola aquela bagunça gostosa”, finaliza.

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