Conexão Brasil Hip HopO funk carioca está em pé de guerra, mas acertou trégua de uma semana e uma manifestação marcada para ontem na Favela Santa Marta, como programado pela campanha Funk é Cultura, foi cancelada. O adiamento para o último domingo (26) do mês atende ao pedido do novo comandante da Polícia Militar na área, coronel Roberto Gil, recém-empossado.

“A mudança na cúpula da PM mudou todo mundo. O comandante anterior na Santa Marta tinha dito que não deixaria a gente fazer a Roda de Funk, mas o novo comandante pediu uma semana para se aproximar da comunidade e nós concordamos”, explicou MC Leonardo, presidente da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk) e líder da campanha.

“Nosso movimento é político, é isso que tenho conversado com os comandantes da PM onde apresentamos a roda. Quando a polícia ameaçou proibir na Santa Marta, nós íamos entrar com um mandado de segurança, mas não foi preciso, porque o novo comandante nos chamou para conversar”, disse.

Do outro lado, a Polícia Militar do Rio de Janeiro registra que a questão teve início na atuação do 6º Batalhão da PM, que abrange do Morro da Mangueira ao Alto da Boa Vista, passando por Tijuca, Grajaú e Vila Isabel. Na sexta-feira da semana passada (10), atendendo a reclamações de moradores, equipes do batalhão estiveram no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, e no Morro do Salgueiro, na Tijuca, antes da realização de bailes programados.

“Verificamos se tinham autorização e se atendiam às determinações. Como não se enquadravam em nenhuma das condições, os bailes não aconteceram”, informou o relações públicas da PM, major Oderlei Santos.

A PM rechaça a acusação de impedir qualquer atração cultural ou religiosa e, de acordo com o major, age apenas movida pela sociedade. “A PM vai até a festas caseiras, em condomínios, quando chamada, porque os organizadores passam da hora e fazem barulho, ou brigam, seja pelo que for o chamado”, garantiu o major.

O protesto da Apafunk não tem como alvo central a ação da Polícia Militar, mas sim a lei estadual, de junho do ano passado, sancionada pelo vice-governador Luiz Fernando de Souza, o “Pezão”, e cujo parágrafo terceiro diz exige que, para realizar esse tipo de baile ou qualquer outra manifestação cultural, os organizadores precisam solicitar permissão, com 30 dias de antecedência, à Secretaria de Segurança.

A lei resultou de projeto do então deputado Álvaro Lins, hoje cassado e preso por corrupção, no presídio Bangu 8. Chefe de polícia no governo Anthony Garotinho, ele compartilhava da opinião geral de que o funk era reduto de traficantes e criminosos em geral, sobretudo a partir da popularidade de grupos, como o Bonde do Tigrão, e outros que empregam vocabulário característico da marginalidade.

Os aspectos do funk carioca que mais geram controvérsia são letras de músicas com claras referências ao mundo dos marginais, interpretadas por muitos como apologia ao crime, e os excessos de sensualidade com apelo erótico em letras que falam de transas, traições e práticas sexuais não usuais.

Para derrubar a lei, a Apafunk e outras instituições culturais contam com o apoio político de alguns deputados estaduais, entre eles Marcelo Freixo, do P-SOL, autor de projeto revertendo seu caráter restritivo.

A trégua até o próximo domingo (26) parece ser apenas um breve período para o movimento Funk é Cultura ganhar mais força e intensificar as Rodas de Funk em comunidades carentes, em desafio à Polícia Militar e à legislação proibitiva dos bailes tão populares que atraem por volta de um milhão de jovens para bailes com danças sensuais e pouca roupa todos os meses no Rio de Janeiro.

Com informações da ABr

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