Glitch Hop não é uma novidade no segmento da musica e dança. Mas ficou muito famoso com os prêmios que o grupo D-EFEITOS vem adquirindo em festivais de dança e TV, onde fundiram de forma bem elaborada músicas com defeitos de programação e movimentos fragmentados e vibrados como o animation, robotting e warping. Os elementos da Glitch Art – cores vibrantes e motivos futuristas – caracterizam o grupo de preferências nerds, que personalizam o século XXI com abstracionismo digital.

O termo Glitch vem da palavra alemã glitschig. É usado para descrever erros da era digital, comuns em softwares, jogos, transferência de dados… e em pouco tempo o termo e a idéia foi inserida na música. Esses erros passaram a ser manipulados narrando as propostas artísticas criadas a partir da febre digital, deixando então de ser uma falha de transmissão e tornando-se uma falha sonora necessária. A estética do pulso aleatório, ou falhas manipuladas, atraiu os jovens, filhos da era digital, desconstruindo uma arte e criando outra em um momento onde a perfeição da vida é a facilidade digital. Mas… se antigamente a comunicação se apresentava de forma falha e com o avanço tecnológico ela passou a se apresentar perfeita, então a criação desta imperfeição seria abusiva! Esta estética retrô é a exata proposta de aproximar essa geração da apreciação do imperfeito.

Se na música e na tecnologia aceitamos as imperfeições, o não convencional, na dança é uma proposta  antiga, apresentada inicialmente por Isadora Duncan, que ignorou o ballet clássico e propôs a improvisação como ponto inicial para a desconstrução do que era considerado perfeito. A partir daí, foram criadas inúmeras técnicas, estilos de dança e propostas estéticas que vieram se superando até chegarmos a era digital, onde os efeitos corporais caracterizando robôs passaram a ser utilizados e aceitos como exteriorização de pensamentos modernos.

Escrito por Laíza H. Gomes, dançarina e coreógrafa.

Laíza, bailarina e coreógrafa, escreve na Revista Entremundos sobre dança e cultura.

 

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