Moisés e sua arte urbana

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Hoje, às 19h, grafiteiros do Grande ABC ocupam com sua arte o Espaço Gambalaia, em Santo André, em dois eventos: A abertura da exposição Equilíbrio Possível, do artista Moisés Patrício, e o lançamento do terceiro número da Revista Graffiti Poético, que tem como editor o grafiteiro andreense Antônio Duque, conhecido como Tota.

“Fiz grafite nas próprias paredes da galeria, em todo o espaço. Também vou expor uma série de monotipias”, diz Moisés, 24 anos, grafiteiro há dez. A monotipia é uma técnica de impressão em que o trabalho feito sobre uma superfície, neste caso acetato, é gravado no papel uma única vez.

Morador da Vila Industrial, divisa entre São Paulo e Santo André, Moisés deu seus primeiros passos artísticos ainda novo, por meio de um antigo projeto chamado Meninos de Arte. “Ali tive contato ao mesmo tempo com a cultura clássica e a contemporânea”, afirma.

Foi dessa forma que ele se tornou um artista multifacetado. Conhecido na região, já fez diversas exposições, também de esculturas e pinturas. “Gosto de usar várias linguagens, uso todo suporte que pode circular a ideia”, diz.

Equilíbrio Possível tem curadoria de Damara Bianconi, que inicia esforço para promover o grafite na região. “Moisés trabalha com linhas que retira das paisagens das cidades. Ele observa e traduz em suas pinturas as mudanças diárias que acontecem no hábitat urbano”, afirma a curadora.

A exposição segue até o fim do mês. Em agosto, irá para São Paulo e, em seguida, Moisés apresentará suas obras na Austrália.

A mostra no Gambalaia também recebe fotografias do norte-americano Jared Levy, que registrou todo o processo de elaboração dos grafites no espaço.

Jared está há oito meses no Brasil ‘mergulhando” nessa área para a elaboração de um documentário. Já filmou a arte de rua de Nova York e Israel, mas, para ele, São Paulo foi mais marcante.

“Quando cheguei, a primeira vista foi um choque visual para meus olhos. A cidade é coberta de pinturas. Isso é extraordinário”, afirma o documentarista, que ainda classificou a cidade como “uma das mais talentosas e artísticas do mundo”.

Segundo o norte-americano, a principal diferença de cada lugar é o nível de aceitação entre a comunidade. “De longe, São Paulo tem a atitude mais receptiva com relação a essa forma de arte”, observa.

Alguns vídeos feitos por Jared sobre grafite registrados no Brasil e em outros países também serão exibidos na exposição de Moisés. O trabalho só deverá ser finalizado daqui a dois anos.

GRAFITE COM POESIA
Ainda hoje, durante o lançamento da revista Graffiti Poético número 3, Tota – que foi professor de Moisés na arte dos muros – conduzirá bate-papo com os editores da publicação, elaborada pelo coletivo 5 Zonas – grupo formado por cinco artistas da cena do grafite paulistano.

Na revista trimestral, cada poema é ilustrado por um grafite. “A ideia é que grafiteiros criem trabalhos interpretando alguma poesia, e escritores criem poesias inspirados em algum desenho em muro”, diz Tota. A revista conta também com divulgação de eventos e entrevistas com artistas da área.

Em sua primeira edição, lançada ano passado na Galeria Olido, a revista contou com o apoio da prefeitura de São Paulo, através de concurso no qual o grupo foi premiado. A segunda edição já foi feita de forma independente, lançada no Sesc Santo André, com a participação do rapper Rappin Hood.

A revista é vendida pelo site graffitipoetico.com.br e distribuída em lojas de São Paulo.

Equilíbrio Possível – Exposição, de Moisés Patrício. Abertura hoje, às 19h. No Espaço Gambalaia – Rua das Monções, 1.018, Santo André. Tel.: 4316-1726. Site www.gambalaia.com.br. Até dia 31. Entrada franca.

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