Ser livre implica poder optar, racionalmente, entre duas
coisas. É precisamente o caráter racional dessa opção que faz da
cultura a base, por excelência, da liberdade.
Com efeito, toda e qualquer escolha instintiva, inconsciente ou
desavisada pode, inclusive, ser feliz ou correta; mas nunca será um
gesto de liberdade na plenitude da palavra.
É pois a cultura, entendida como posse, o mais integral
possível dos valores científicos, morais ou filosóficos, que nos
possibilita julgá-los, elegê-los conscientemente, depô-los ou retificálos.
E isso é ser livre.
Os sábios antigos que foram levados à prisão em nome de
postulados que seus contemporâneos não admitiam constituem,
paradoxalmente, expressivo exemplo de homens livres. A prisão não
os privou de sua eleição íntima e consciente; não os tornou, por
conseguinte, menos livres. Certamente eles viram, em sua
segregação social, não a perda da liberdadde, mas o preço a pagar
por tê-la exercido plenamente.
No mundo atual, em que opções políticas, religiosas, sociais e
ideológicas as mais delicadas se nos impõem, a cultura já não é
apenas um meio de chegar à liberdade, porém, uma arma a utilizar
na preservação dela.
Cultuemo-nos, portanto. Pensar em liberdade, sem ter cultura,
é como querer voar, tendo apenas condições para arrastar-se.

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