Hip Hop do Pará

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A princípio, as performances de Lady Gaga estão longe de se assemelhar com quaisquer características do movimento Hip Hop. Mas música “Telephone” serviu de base para a Companhia Mirai de Dança compor a coreografia “Conexidade”, selecionada para o Festival Internacional de Hip Hop de Curitiba, que acontece nos próximos dias 2,3 e 4 de julho. A Companhia Mirai é uma das poucas representantes no estado no Hip Hop New Style, que, mais subjetivo, não usa necessariamente o Rap como música nem o tradicional break dance para os movimentos corporais. O estilo, mais livre, abriga também passos de outros estilos como jazz e dança contemporânea, por exemplo. E foi aí que a Lady Gaga foi parar em uma apresentação de Hip Hop.

O certo é que com os limites culturais cada vez mais tênues, novas formas de manifestar uma mesma cultura passam a se proliferar pelo mundo. E o Hip Hop – originalmente um movimento cultural surgido nos Estados Unidos, na década de 1970, como forma de reação aos conflitos sociais – não estaria muito longe de ser reformatado. O coordenador da Companhia Mirai, Franco Salluzio, explica: “As pessoas têm ideia de que o Hip Hop é Rap, mas não é por aí. O Rap é mais clássico para dançar, mas se botar uma música com uma batida forte de tempo, com ritmo, é possível dançar Hip Hop”.

É justamente sob alcunha de New Style – novo estilo, em livre tradução – que começam a despontar grupos que apostam na afinidade com a letra e com a música, em uma relação mais estreita com esses elementos, para poder compor as coreografias. Tecnicamente, o New Style não se prende à nenhum passo pré-estabelecido. Tudo acontece de acordo com o sentimento de quem está dançando, em relação à música que o corpo interpreta. “Os bailarinos desenvolvem uma coreografia para si, com a própria identidade. O corpo recebe a batida da música, não tem uma fôrma, te deixa experimentar o que a letra de te diz para poder desenvolver a dança”, explica Franco.

Mas as coreografias não são feitas aleatoriamente e os bailarinos se dedicam cinco horas por dia para poder compor danças autorais. No começo, tudo era cover, e os integrantes passavam horas fazendo coreografias de artistas famosos. Atualmente a companhia faz pesquisas sobre movimentos para “enriquecer o currículo corporal”, destaca Franco.

Com influências do Hip Hop asiático, os integrantes do grupo decidiram montar oficialmente uma companhia porque sentiam falta do estilo na cidade. Há três anos, eles eram apenas um grupo de cerca de 10 amigos que queriam dançar o New Style. Para comemorar os três anos de existência e também para angariar fundos para a viagem até a capital do Paraná, a Companhia Mirai promove hoje a 1ª Mostra de Dança com participação de outras companhias de jazz, balé contemporâneo, dança de salão e dança de rua. O evento ocorre no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas.

MIRAI

A Companhia Mirai é a primeira companhia de dança de rua de Belém e do Estado do Pará a ser selecionada no Festival Internacional de Curitiba. “Isso significa uma conquista e muita responsabilidade. Queremos agora nos apresentar da melhor maneira possível. Queremos que esse profissional que estuda e usa a dança não como mero entretenimento, mas como desenvolvimento pessoal do ser humano”, diz Franco.

O grupo também produz, fomenta e desenvolve estilos de dança de rua não conhecidos em Belém, e faz estudos e pesquisas em dança, ministra aulas e traz profissionais de fora do Estado. (Diário do Pará)

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