Mano Robson recebe Prêmio por Projeto Hip Hop

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Hip Hop do Sertão: Cidadania e Oportunidade para o Semi-Árido. Esse é o tema do projeto da categoria de inicitiva cultural no quesito conhecimento, que obteve a média de 86,95 pontos e a aprovação do projeto, conquistando assim o PRÊMIO PRETO GHOES.

‘MANO ROBSON’ RECEBE PRÊMIO POR PROJETO de HIP HOP A NÍVEL NACIONAL

‘MANO ROBSON’ APROVA PROJETO de HIP HOP A NÍVEL NACIONAL

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O Ministério da Cultura lançou em 2010  o 1º Edital Prêmio Cultura Hip Hop 2010 – Edição Preto Ghóez, que premiará 128 iniciativas voltadas para a promoção e o fortalecimento da Cultura Hip Hop no Brasil. O lançamento aconteceu no Rio Grande do Sul, durante a realização do 10º Fórum Social Mundial.

De iniciativa de Robson Luis Moreira, popularmente conhecido como “MANO ROBSON”, 26 anos, sem nenhum apoio do Poder Público ou da iniciativa privada, conseguiu lograr êxito neste concurso de projetos de ‘Hip Hop’, com muito esforço e dedicação tem seu trabalho reconhecido em todo o Brasil.

Mano Robson: Nascido em São Paulo, no bairro do Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, Mano Robson, desde pequeno já ouvia rap, filho único de um casal nordestino e negro, tive uma infância solitária, não entendia também o porque de tanta violência. Mas, o destino lhe reservava outras surpresas, aos 12 anos de idade, vim morar no nordeste com sua família.

Mano Robson inicia, em setembro de 2003, sua trajetória dentro do rap na cidade de Codó, onde muitos já ouviam rap, o dom de escrever surgiu da revolta por ver seu povo tão sofrido, carente de cultura e lazer, jogado ao descaso. Assim Mano Robson aprendeu a se expressar da sua maneira, sem nunca se importar com que os outros iriam falar.

Ele funda o grupo Tiroteio Verbal na cidade de Codó Maranhão, grupo do qual foi integrante de setembro de 2003 até Março de 2005.

O grupo de hip-hop Mano Robson e a Ban-K, foi fundado em 24/09/2005, por Mano Robson e atua até hoje tendo sua base na cidade de Codó mas atuando também nas cidades vizinhas de Caxias, Coroatá e Timbiras.

Adolescência

Envolvido em várias confusões na adolescência, em bailes, nas ruas, Mano Robson, logo viu que aquele não era o seu caminho a seguir na vida, tendo como exemplo seus próprios amigos, que não tiveram êxito trilhando o caminho errado da vida.

Timidez

A discriminação por parte da sociedade codoense era tanta, que Robson não tinha coragem de cantar, subir num palco e mostrar ao que realmente veio, até que um dia conheceu três parceiros, que curtiam muito rap, e um dia resolveram formar um grupo que, mais tarde se chamaria Tiroteio Verbal, formado por Mano Robson, Mano V.S,Renegado e Chinha. Mano Robson no período que ainda não cantava, sempre era motivado por um grande amigo, chamado Jairo, parceiro do mesmo time em que Robson jogava, o Guarani da Trizidela da cidade de Codó-Maranhão.

Grupo Tiroteio Verbal

O grupo fez muito sucesso na cidade de Codó, relatando os problemas do dia–a– dia. Mano Robson e os seus companheiros passavam com extrema sinceridade toda a revolta e solução para o fim dos problemas que todo aquele povo, que Robson aprendeu a amar até mais do que muita gente, que nasceu naquela terra sofrida, caracterizada por manter viva as raízes da mãe áfrica, cultivando até hoje terreiros de Candomblé. Conhecida mundialmente como a terra da macumba, Codó também é a terra dos sem expectativas de uma melhor vida, assim também pensava Mano Robson, logo quando o grupo pouco a pouco foi se desfazendo, por conta da difícil situação de cobrança por parte da família dos integrantes do grupo Tiroteio Verbal.

Mano Robson e Ban-K

A falta de perspectivas que caracteriza a região onde se encontra Codó, marcada por desemprego estrutural, pobreza, vulnerabilidade social, e preconceito racial exige muita persistência. Mano Robson, quando trabalhava para o projeto das Casas Brasil ou depois quando ficou desempregado, sempre continuou na luta para levar uma mensagem de otimismo aos seus irmãos de luta. Para isso, fundou o grupo Mano Robson e Ban-K que  utiliza a linguagem do Rap, mas também os conhecimentos adquiridos em software livre durante o período em que trabalhou como bolsista do CNPq. Rap e inclusão digital são as principais ferramentas para tentar melhorar a situação dos jovens sem rumo de Codó e região dando a eles a possibilidade de sonhar com um futuro melhor.

Se não se faz algo na nossa região, a situação continuará do jeito que está em que a única possibilidade de futuro está na migração para outras cidades como São Paulo ou Brasília.

As atividades durante esses anos de existências contaram com algumas parcerias, em alguns momentos, como a Esperança Garcia: Coletivo de Mulheres Negras que trabalha no combate à discriminação e ao preconceito racial; escolas da cidade de Codó e Caxias, a Casa do Hip Hop do Piauí, responsável pela produção do CD “Nascido pra Guerra” e a Fundação Casa de São Paulo/Ação Educativa, além dos parceiros virtuais de todo o Brasil que sempre dão apoio moral na luta.

Mano Robson e a Ban-K desenvolvem basicamente duas ações principais: militam no movimento Hip Hop, através de suas composições, apresentações, shows, palestras, oficinas e Cds e através da capacitação em sofware livre, em especial para a edição de imagem e som, decorrente de sua experiência como técnico especialista da Casa Brasil.

Essas atividades são realizadas em diversos espaços, de bares a escolas e ginásios e tem como público-alvo principal crianças e adolescentes pobres das periferias das cidades do interior do Maranhão e Piauí.

Mano Robson também participa de ações de articulação regional e nacional, participando como convidado especial de eventos como o 8 Hip Hop Nordeste (ver vídeo) e do III Encontro Paulista de Hip Hop onde estabelece importantes conexões que ajudam a diminuir um pouco o isolamento dessa região afastada dos grandes centros que é Codó e municípios vizinhos.

Mano Robson, nos recebeu para uma conversa para falar um pouco a respeito de seu mais novo sucesso profissional e de sua carreira.


Quais são os principais desafios enfrentados para manter a iniciativa cultural? Como são enfrentados?

Mano Robson: O principal desafio talvez seja a informalidade com que atuamos. Sempre temos que ir pedir algo na prefeitura como pessoas físicas, ficando a impressão de interesse pessoal. Pensamos superar esse desafio através da constituição de uma entidade, uma associação que trabalhe para o fortalecimento da representatividade do Hip Hop na região.

Com a entidade promoveremos, em parceria com outras entidades, cursos de produção cultural e elaboração de projetos para que possamos participar mais ativamente dos editais abertos pelos governos e também tentar conseguir apoio junto à iniciativa privada.

Quais as perspectivas de continuidade desta iniciativa?

Continuar a gente sempre continua, nem que seja aos trancos e barrancos. Usamos muito do capital social, isto é, da conexão que existe entre o pessoal ligado ao Hip Hop. Assim, pra fazer um show, um entra com o espaço, o outro com o som, o outro com a luz e assim vamos.

Continuamos batendo nas portas, um dia elas começam a abrir, já começaram, a gente já tem bastante evento na bagagem, isso vai dando credibilidade e fortalecendo o movimento.

Gostaria de destacar as palavras de incentivo do Senador Eduardo Suplicy, o qual tive a honra de conhecer, ele que também é fã de hip hop, inclusive já cantou trechos de músicas do grupo Racionais MC’s em entrevistas e no próprio Senado: “Mano Robson, lute, cresça e que o Hip Hop te engrandesça”.

Onde ocorrem as atividades da iniciativa cultural?

Já desenvolvemos atividades nos seguintes municípios: Codó, Caxias, Coroatá, Timbiras, São João do Soter e São Luis no Maranhão; na comunidade de Santo Antônio na periferia de Teresina e na Zona Leste de São Paulo também em região de periferia onde temos vários parceiros atuantes do Hip Hop.

Em que condições estão os espaços físicos e outros recursos necessários para a manutenção dessa iniciativa cultural?

Essas atividades não tem sede fixa e talvez isso seja um dos pontos positivos porque às vezes estamos em Escolas, às vezes em Associações de bairro ou classistas, às vezes em Universidades, e mesmo em praças públicas. Não é o público que vem até a gente, é a gente que vai até o público. Para as oficinas usamos os computadores das próprias escolas ou mesmo as Lan Houses (10 em Codó)

Justamente por isso, o transporte é um problema. Já deixamos de participar de vários eventos em que representaríamos a cidade de Codó, porque não conseguimos nenhum tipo de apoio para o transporte. Sempre recebemos convites mas temos dificuldades de deslocamento.

Os aparelhos de som são o outro grande problema. Não possuímos, então temos sempre que fazer vaquinha para alugar, pra poder fazer nossos shows. Muitas vezes tiramos do próprio bolso. Às vezes o próprio bar oferece como é o caso do Bar Girassol onde fazemos vários shows.

Quais são os principais objetivos desta iniciativa cultural?

O principal objetivo de nossa atuação é criar uma rede de Hip Hop do Sertão promovendo espaços de encontro de jovens que se dedicam às expressões culturais do Hip Hop e fazer desses encontros uma oportunidade de discussão das realidades vividas por quem mora no interior do Maranhão e do Piauí e de aprimoramento técnico e artístico desses jovens.

A idéia é continuar a fazer os seminários que fazemos nas escolas, onde colocamos o problema das drogas e questões como cidadania e cultura de paz, além de ensinar o máximo de gente possível a colocar suas produções na internet através dos sofwares de edição de som e imagem. (sofwares livres: Jackd; Hydrogen; Audacity; Ardour; Kino; Cinelerra; ffmpeg)

Também vamos continuar com nossos seminários regionais que são oportunidades para trocas de experiências, problemas e soluções entre todos aqueles que vivem e trabalham com o Hip Hop em nossa região.

Também pensamos em criar o site www.hiphopdosertao.org.br para reunir a produção do pessoal da região e também disponibilizar as músicas para download.

Mais pra frente a gente também pensa numa cadeia produtiva: fazer show impulsiona a venda de CDs e venda de camisetas. Aí o negócio pode ir crescendo, nos moldes do que acontece com a música do Pará. Dá pra vender CD a R$ 5,00 através dos ambulantes, e por trás de cada produção dessa, está gerando renda pra bastante gente.

O hip hop lança moda, nas roupas, no cabelo. Aí quem trabalha com confecção, com salão de beleza pode se aproveitar dessa onda pra também gerar sua renda.

Como a iniciativa contribuiu para desenvolver e fortalecer os elementos da cultura Hip Hop?

Nossa iniciativa é importante porque abre um espaço importante para o Hip Hop numa região que tem o predomínio do Reggae. Muito por isso, o Hip Hop aqui possui elementos inovadores de mistura com o Reggae que pode ser percebido na maneira de dançar, e nas próprias melodias das músicas. Essa mistura enriquece o Hip Hop da mesma maneira que enriquece o Reggae e quem sai ganhando é o público jovem que tem acesso a uma maior diversidade cultural. Além disso, sempre chamamos pessoas importantes do Hip Hop nacional que nos ajudam a dar uma perspectiva histórica da linguagem no Brasil ajudando na disseminação e preservação da memória do Hip Hop brasileiro.

O grafite por aqui também vai se misturando com outras expressões visuais, em especial aquelas ligadas ao Candomblé e às religiões de matrizes africanas, gerando uma possibilidade muito rica de manifestação visual.

O que será feito com o dinheiro do Prêmio?

pensamos em dar um bom impulso em 3 idéias que estão apenas parcialmente implementadas: a rede Hip Hop do Sertão, que reúne artistas ligados ao movimento em diversas cidades do semi-árido do Brasil nos Estados do Maranhão, Piauí e Alagoas; o projeto Hip Hop é coisa de menina que tem como princípio atrair mais mulheres para participar das atividades do Hip Hop, a idéia é envolver as meninas nas atividades de grafite, nas oficinas de tranças de cabelo e nas oficinas de composição e voz; e o projeto de capacitação em produção digital de apoio às manifestações do Hip Hop, no qual, utilizando ferramentas em software livre, faremos a capacitação de jovens que estejam interessados em aprender técnicas de gravação e mixagem, design gráfico, serigrafia e produção voltada para a confecção de Cds e outros produtos ligados à cultura do Hip Hop.

Para isso, vamos constituir formalmente uma instituição e começar a elaborar projetos para pedir apoio a outras entidades de governo e também junto aos comerciantes locais de nossa cidade.

A Cultura Hip Hop, cujas primeiras manifestações, no Brasil, datam do início dos anos 1980, surgiu nos Estados Unidos da América e, atualmente, pode ser encontrada em todo o território brasileiro, principalmente nas periferias das regiões metropolitanas. Mas o Hip Hop também chegou ao interior do Brasil, marcando presença, por exemplo, em assentamentos e acampamentos rurais, aldeias indígenas e comunidades quilombolas. Com isso, absorveu a diversidade da cultura brasileira, criando uma identidade própria, com múltiplas variações, e tornando-se uma linguagem artística das mais representativas da nossa cultura.

Preto Ghóez, ou Márcio Vicente Góes, nasceu em 8 de outubro de 1971, em São Luis, no Maranhão. Teve uma infância pobre e começou a trabalhar com apenas 10 anos para ajudar a mãe a sustentar a família. Mas a paixão pela música também foi despertada cedo e, em 1993, ele já estava montando a sua primeira banda de Hip Hop, a Habeas Corpus, que, em 1994 passou a se chamar Skina. Em 1996, o artista formou um novo grupo musical. Surgia, então, a Milícia Neo Talmarina que durou até 1998. Neste ano, Preto Ghóez desfez o grupo e criou a Clã Nordestino que gravou um único CD, a Peste Negra do Nordeste, e durou até a sua morte. Além das bandas, Preto Ghóez fundou os Movimentos Hip Hop Organizado Brasileiro (MHHOB), Favelafro, do Maranhão e Questão Ideológica, do Piauí. O artista escreveu ainda o livro A Sociedade do Código de Barras – O Mundo dos Mesmos. Com a banda Clã Nordestino Ghóez percorreu todo o Brasil e também fez shows em países como a Itália e a França.

Confira o link da publicação do resultado do Concurso:

file:///C:/Users/teixeira/Desktop/Mano%20Robson/RESULTADO%20do%20Pr%C3%AAmio%20Preto%20Gh%C3%B3ez%C2%A0_%C2%A0Portal%20Rap%20Nacional%202010.htm

Toda iniciativa cultural deve ser divulgada e incentivada.

Esperamos que esse jovem artista receba o apoio devido e que seja valorizado.

Parabéns Mano Robson!

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