Entrevista com BGirl Aline

0

Veja aqui a entrevista com a Bgirl Aline, feita pela Max 5.
bgirl_alineÉ ai Aline, Sou um dos produtores do Max 5 batalha de bboys!
Em primeiro lugar gostaríamos de agradecer pela sua colaboração!
Estou aqui para saber um pouco mais sobre o seu trabalho!
Bom sem mais demora vamos ao que interessa!

Por favor comece se apresentando:
Nome: Aline Constantino
Idade:
21
Vulgo:
Aline AfroBreak
Profissão:
Educadora Social e Educomunicadora
Crew:
AfroBreak

 

Max 5: Há quanto tempo você dança e o que te levou a isso?

B.Girl Aline: Desde do primeiro passo, vai fazer 6 anos, mas só um ano depois que fui levar realmente a sério. Eu jogava basquete quando conheci o Hip Hop, um amigo me explicou quais eram os elementos e na época me interessei loucamente por ser DJ; Breaking era uma opção descartada. Mas com o tempo fui conhecendo pessoas que dançavam, inclusive o grupo AfroBreak, fui me interessando até o dia em que vi uma criança fazendo um Baby Freeze. Pra mim foi a motivação que precisava, se ela conseguiu porque eu não? Fui pedindo pra uns e outros e Graças a Deus hoje to aí.

Max 5: Descreva o seu estilo:

B.Girl Aline: Eu sou como alguns diriam, “Style”. Apesar de gostar muito e treinar movimentos (Tricks, Power e etc.), sou daquela que pira em um Top Rock, FootWork. Abuso dos meus estudos em Danças Urbanas e das Danças Brasileiras, agrego muito a minha dança, afinal tudo é influência pra mim. Sou bem freestyle, gosto de dançar nas rodas e não ligo se errar, desde que saia com amor a parada e que eu consiga aproveitar a vibe ao meu redor!

Max 5: Você faz outras coisas além de  dançar Breaking?
B.Girl Aline: Bom, sou educadora de Breaking e trabalho com crianças de 5 à 15 anos. Trabalho também com Comunicação Social – entrevistas, fotografias, produção textual, redes sociais e afins. Futura Publicitária, se Deus quiser.
Max 5: O que exatamente é ser uma B.Girl pra você?

B.Girl Aline: Tem que ter muito respeito pela parada, afinal isso não caiu do céu e de repente nos “transformamos em Bgirls”, tem toda uma historia, todo uma luta pra que não caíssemos no “esquecimento”. Somos menor numero, estamos aos poucos conquistando e fazendo valer nosso espaço, não pode simplesmente tratar como brincadeira e achar que é pouca coisa. Tem que ter postura; muitas Bgirls são exemplos pra outras que estão começando, tem que ter cuidado com o que fala, com o que faz. Isso nao é se preocupar com opinião alheia, mas é tomar conta de seu maior tesouro. E o mais importante de tudo: AMAR o que faz; ir treinar mesmo depois de um dia stressante, é jogar a energia pra fora, é ser real no que faz. Não é só batalhar, vai bem além… É muito difícil explicar, só quem sente mesmo sabe…

 

Max 5: Além de ser b.girl você representa algum outro elemento da cultura Hip-Hop ou pretende representar futuramente?

B.girl Aline - AfroBreak

B.Girl Aline: MC nas melhores oportunidades, DJ nas horas vagas e Grafiteira de caderno. Brincadeira! Cada qual com seu talento e dançar com certeza é o meu! Sou MC apenas pra apresentar os eventos organizados pela crew ou quando alguém me chama pra dar uma força. Já fiz aulas de Discotecagem, amo os scratches e Back to Back; Grafiteira nem riscando. Enfim, só fortaleço mesmo!

Max 5: Você hoje em dia vê a dança como profissão e consegue viver dela?

B.Girl Aline: É complicado viver da dança, mas não é impossível. Vejo e conheço pessoas que se sustentam dela. Mas pra isso, tem que estudar, tem que correr atrás e estar preparado pra passar por imensas dificuldades, falta de apoio, tem que elaborar projetos e mandar pra editais, ter uma documentação especifica… Metade do meu sustento é da dança, com as aulas, apesar que seria bom viver só dela, mas tenho outras metas, quero conseguir outras coisas, mas equilibrar as duas grandes importâncias na minha vida.

Max 5: O que o breaking mudou na sua vida?

B.Girl Aline: TUDO. Mudou minha postura, minha forma de ver e encarar a sociedade. Me fez enxergar quem eu era, valorizar minha ancestralidade. As vezes acho que não existia uma Aline antes do Hip Hop, existia mais uma mulher fútil e sem graça na sociedade, hoje eu sou totalmente diferente e agradeço muito por isso. Por isso defendo e levanto a bandeira do Breaking como transformação social, por que isso eu já senti na pele.

Max 5: Na sua concepção como vê a cultura hip hop hoje em dia no Brasil e no mundo?

B.Girl Aline: Complicado falar do Hip Hop no Brasil, sabendo que existem várias pessoas e as mesmas com várias opiniões. Eu vejo que somos muito capazes embora não percebemos. Capazes de mobilizar, transformar, conseguir muito a nosso favor. Mas falta ação, iniciativa, colaboração. Vejo individualismo, vejo orgulho, vejo pessoas indo por STATUS. Como disse o DanDan uma vez, “É difícil ver um cara do Graffiti por exemplo, dizer que é do Hip Hop e nem saber o que é um FootWork”. O Hip Hop precisa de mais gente disposta a lutar por ele, de bater no peito e ser do Hip Hop de verdade. Eu sou Bgirl e vou nos encontros de DJ, Graffiti e também dos MCs. Sei do que ta rolando, sempre que posso fortaleço com eles. Cada elemento tem seus pontos fortes e fracos, temos que saber alimentar o que nos fortalece e combater o que nos deixa fraco e não o inverso. Mas isso é muito assunto, essa situação da cultura dá muito pano pra manga.

Max 5: Fale uma batalha ou campeonato que marcou a sua vida e porque marcou?

Todas me deixam historias, experiências e vivências. Mas à que mais me marcou, foi na BOTY – WE Bgirls 2008. Foi minha primeira competição “grande”, vamos por assim dizer. Eu não botava fé em mim, tinha baixa auto-estima com minha dança; Mas a Bgirl Nathana me convidou, as meninas da crew uma já tinha parceira, as outras não estavam bem, então aceitei. Fui bem receiosa e por fim fui pra semi-final. Perdemos e na disputa pra 3° lugar, batalhariamos com uma dupla amiga, fizemos uma bagunça lá e nem competimos, e ai ficamos com o 3°. Batalhamos com Bgirls que na época eram as “TOPs” e vencemos. Não me acho por isso, mas lembro disso como um processo importante pra mim, me senti mais viva, mais capaz, mais determinada a alcançar minhas metas.

Max 5: Você tem o sonho de participar de algum evento internacional? Qual e por quê?

B.Girl Aline: Acreditem se quiser, mas não. Tenho vontade de viajar, conhecer lugares, pessoas, mas não pra competir. Quem sabe eu venha a ter mais pra frente, mas não é meus planos pra agora. Preciso evoluir muito ainda.

Max 5: Em quem você se inspira ou quem foram suas referencias?

B.Girl Aline - AfroBreakB.Girl Aline: Minha Crew! Tem muita gente que eu admiro e respeito na cena, e trago um pouco deles pra mim como influência. Mas minha maior inspiração, minha maior referencia é a minha Crew! Por que quando eu comecei, foi vendo eles dançando, treinando perto da minha casa, ensinando a galera… e vendo todo aquele povo louco me chamou a atenção. Depois de um tempo tive a honra de fazer parte de um projeto deles – Bgirls AfroBreak – que logo se uniu e tornou um só grupo. É legal, porque se eu quiser um conselho de Power ou Tricks, procuro o Zoio ou o Loko, flexibilidade, o Megaman; Abstrato, Gerson, e ainda tem mais três minas na crew, todas com suas diferenças, suas referencias. Aprendi e aprendo muito com eles. Penso que mesmo se não estivesse na crew, me inspiraria neles. Graças a Deus faço parte da gang dos loucos, rs.

 

Max 5: Quais são seus planos para 2011?

B.Girl Aline: Quero poder fortalecer cada vez mais minha cultura, conscientizar  e resgatar a verdadeira essência. Quero treinar até meu corpo não conseguir fazer mais um Top Rock, quero evoluir, crescer. Tanto na Dança quanto profissionalmente. Quero focar nas metas estabelecidas e partir pro “arrebento”. Como diz Slim Rimografia: “Foco & Disciplina”. Essa é a missão.

 

Max 5: O que você aconselha para quem está começando agora?

B.Girl Aline: Que se dediquem, que se descubram, estudem. Não existe verdade absoluta, procure sempre ouvir as pessoas, todas tem muito a oferecer. Isso faz com que você formule sua própria opinião sobre as coisas. Que façam por amor acima de tudo, não por dinheiro, por fama ou pra agradar. Satisfaça a si mesmo sempre, ninguém tem que gostar de você, por você ser o melhor B.boy ou melhor B.girl, tem que gostar pelo o que você é. Cuide dessa bandeira que você ostenta; não se limitem, não achem que não são capazes… só basta ter paciência. E fiquem sabendo que criticas sempre vão existir, pelo bem ou pelo mau, pessoas querendo te derrubar também, mas a dança tem que ser acima de tudo isso. É assim que se cresce.

Max 5: O que você acho das edições anteriores do Max 5? Qual suas expectativas para o MAX 5 deste ano? E o que você gostaria de ver no evento?

B.Girl Aline: Bom, eu não conhecia o Max 5 e suas edições anteriores, mas acredito que essa é uma grande iniciativa. Parabéns!

Espero poder conhecer mais, se possível estar presente e curtindo nas rodas! rs. E poder ver a galera curtindo, trocando idéia, fazendo não só disso mais uma competição, mas uma ação que fortalece o Hip Hop de verdade!

Max 5: Você esta na organização do Jam Art’Culando, fala um pouco sobre o evento e lança um convite pra geral colar no evento.

B.Girl Aline - AfroBreakB.Girl Aline: A Jam foi uma idéia inicial do CCJ, eles tinham em mente fazer uma parada que pudesse juntar a galera e proporcionar a troca de idéias, a dança, entre outros e curtiir! Convidaram o B.girls Art’Culando pra organizar e abraçamos a idéia. Avisamos as outras integrantes do projeto, todas se mostraram dispostas e com vontade de fazer a parada acontecer. Foi daí que já surgiu a idéia Bonnie & Clyde, com intuito de exercer o respeito e a igualdade entre homens e mulheres, independente de seu elemento.

Quem puder fortalecer, é só chegar, será bem recebido! O evento é gratuito, e foi feito pra todos chegaram e se sentirem em casa. Convida Pai, Mãe, tio… e chega junto!
Mais informações sobre o evento: Jam Art’Culando

 

Max 5: Tem algo que não perguntamos e você gostaria de citar?

B.Girl Aline: Não. Estou contemplada!

Max 5: Legal Aline, deixa uma mensagem ai para galera que acompanha sua correria, e para os nossos leitores.

B.Girl Aline: Primeiramente, obrigado ao Max 5 por essa oportunidade, espero que gostem da matéria, tentei expressar um pouco do que sou e do que acredito. Mantendo respeito com todas as pessoas, como eu disse existem várias opiniões diferentes. Que Deus abençoe à todos, que possam lutar e conseguir tudo aquilo que acreditam. Nos vemos pelas rodas, festas, encontros e campeonatos da vida! rs.

 

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here