Blackitude: Vozes Negras da Bahia

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Estética e Atitude Black

A BlacKitude é composta por pessoas que se reúnem para apresentações artísticas e trabalhos sociais com o mesmo prazer e intensidade. Sua vinculação ao hip hop segue duas bases vitais: a estética das linguagens dos chamados quatro elementos: rap, break, grafite e dj, e sua inserção nas lutas sociais. Desde 1998, atua no processo de consciência, construção, fortalecimento e independência do hip hop soteropolitano. Desta militância, resulta atividades que envolvem posses, escolas, faculdades, associações, sindicatos, teatros, passeatas. O coletivo entende-se como desdobramento do movimento negro. Por isso BlacKitude: Blacks com Atitude.

Cidadania Hip Hop

A BlacKitude compreende que a construção de um movimento global de cidadania não pode menosprezar as demandas da juventude urbana atual. Afirma elementos tradicionais, folclóricos ou arcaicos, mas não concorda com a anulação da contemporaneidade. As mudanças operadas nos jovens negros e carentes que transitam pela paisagem urbana na condição de cidadãos expostos às transformações promovidas pelas experiências das culturas da pós-modernidade são dados que devem ser considerados por todos que se preocupam com a construção de sua subjetividade e preparação para a experiência coletiva. É por este viés que a BlacKitude participa do movimento da sociedade civil, dando ênfase ao processo cotidiano do hip hop como experiência positiva que pode ser aproveitada na elaboração de projetos que priorizem a construção e a defesa de uma cidadania ampla e plural. Na crença que pode transformar o outro, o ativista do hip hop transforma, primeiro, a si mesmo. Ser hip hop cotidianamente é o que faz com seja sujeito e objeto de mudanças operadas na contemporaneidade, bem como produtores de bens comuns.

Estética, Raiz e Ativismo

A escolha da BlacKitude é não apartar a arte do hip hop do ativismo social, nem menosprezar o mercado que lhe é peculiar e legítimo. Por isso o processo lhe atrai tanto quanto o produto. No palco ou no cd, o rap é música. No seu processo de elaboração, na solidão ou em grupo, é um caminho efetivo e simultâneo de elaboração da subjetividade e interferência no coletivo: simbólica e materialmente. Essa lógica vale também para o break, para o grafite e para o dj. O fato de um jovem tocar ou samplear James Brown, Bezerra da Silva, Fela Kuti, Jorge Benjor ou Originais do Samba revela, em parte, a orientação identitária promovida pelo hip hop. Essa procura de raízes é diferente da “arqueologia” conservadora, pois, embora legitime a consciência de tradição, não busca purismo ou originalidade, mas inspiração que se materializa pela apropriação. O sampler dilui as barreiras entre o que as culturas das elites insistem em referenciar como original ou rejeitar enquanto cópia. A apropriação atualizadora, orgulhosa de explicitar suas fontes, representa a grande mudança operada pelo canibalismo cultural através do qual a cultura hip hop abalou os paradigmas das belas artes e sua busca de singularidade. Tudo isso abriu não só uma forma de expressão, mas também um mercado que deve ser do domínio da comunidade que o produz.

Mercado.Negro

Fica, agora, a expectativa de firmar-se, aqui, novas parcerias da BlacKitude, fortalecendo nossa amizade com todos que lutam, verdadeiramente, pelo fortalecimento das culturas espontâneas e pela emancipação do povo preto. Afinal, a nossa família é ampla, mas mãe só temos uma!

One love!!

Blackitude@gmail.com

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