Um Desafio a ser Enfrentado

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danca_de_ruanetComo unir ciência e Dança de Rua? Uma tarefa que parece um tanto que difícil aos olhos de muitos amantes deste estilo.
Por muitas vezes fiquei me perguntando… Como podemos ajudar a Dança de Rua a ser uma modalidade reconhecida? Bom! Isto é uma pergunta que eu tento desvendar até hoje…
Existe uma confusão e uma especulação de informações históricas e contemporâneas muito complexa, pois dentro da própria linha de atuação, grandes correntes não se aceitam.
O Hip Hop é um grande movimento ideológico que surgiu englobando os clássicos elementos: Música (Rap), Dança (Break Dance), Artes Visuais (Grafite) e a figura do Dj. A junção destes elementos forma todo este fantástico movimento, rico em cultura e ação social.
Pois bem, regionalmente e até ideologicamente, separam, street dance de dança de rua, por fim, os radicais não aceitam como parte do movimento, e aí, ficamos presos numa imensa bola de neve.
Há uma dificuldade extremamente grande de pesquisadores iniciantes em conseguir informações precisas e não muito difusas sobre a dança de rua e sua história. O que existe, são muitas “histórias” e nada para que esta nova gama de pensadores possa se embasar teoricamente.
Cresci dentro de um grupo raiz de Hip Hop que sempre me ensinou primeiramente a ser inteligente, pois assim, poderemos construir um trabalho sério, fidedigno e com os pés no chão!
Percebo que estamos passando por um momento de transição histórica muito grande e a dança de rua não pode ficar de fora! Recebo inúmeros e-mails de pesquisadores e pensadores de todo o país, interessados em não apenas dançar, mas falar e pensar sobre dança… Isto já é um passo extremamente importante no plano das idéias…

Percebo a dificuldade de grandes profissionais de “raiz” que fazem o possível e o impossível para manter a imagem de um estilo cunhado com muito sacrifício.
Por outro lado, percebo também, que a nova leva de profissionais iniciantes procuram superar seus limites e colocar suas performances no auge de suas intenções e isto ao meu pensamento é muito ruim…
É o momento de procurarmos deixar algo que fique para a história, algo assim como o movimento Hip Hop, que foi transmitido de geração para geração de uma forma muito peculiar. Devemos sistematizar nossos conhecimentos, deixá-los mais claros e caminhando na mesma direção. Devemos deixar de lado também, as divergências e as discussões teóricas e históricas quem não tenham fundamento algum… Assim, deixaremos de caminhar sempre em “círculos” e poderemos avançar rumo ao futuro!
Temos que pensar mais sobre dança, escrever mais, discutir mais… Temos que deixar um legado que perpetue, que possamos levar nas viagens, lendo, ouvindo James Brown e absorvendo tudo aquilo que a essência do movimento quer nos transmitir, mas que muitas vezes desconhecemos.
Quero ficar velho, sem deixar de dançar e ler para os meus netos, a história de lutas e de grandes profissionais que fizeram história, que conseguiram no ontem, estruturar e dar a base sólida para a atuação e difusão de um grande estilo de dança…
Então, dancemos, falemos e pensemos mais sobre Dança de Rua!!!

* William S. Cajú é educador social, diretor e coreógrafo da Cia Dança de Rua pela Vida, pesquisador dos diversos estilos de dança voltados para a proposta dança/educação e membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Desenvolvimento e Intervenção Psicossocial da Universidade de São Paulo – USP Ribeirão Preto/SP.

Por William S. Cajú
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