Hip Hop, Street Dance ou simplesmente Dança de Rua. As nomenclaturas identificam o movimento que surgiu nos Estados Unidos, no final da década de 60, com o intuito inicial de promover a paz entre as gangues dos guetos norte-americanos, vindo a popularizar-se em todo o mundo, passando a fazer parte da agenda dos grandes eventos de dança. Para falar mais sobre o dinamismo dessa dança, um workshop com Kiko Bown, professor e coreógrafo da Cia. Eclipse Cultura e Arte, de Campinas (SP), está agendado para a hoje, no Instituto de Artes do Pará (IAP), integrando a programação dos 20 anos do Dança Pará Festival.

O Festival iniciou na última sexta-feira (21) e segue até o dia 26, também no Teatro Maria Sylvia Nunes (Estação das Docas), Polo Joalheiro (Coliseu das Artes) e Memorial dos Povos. A realização é da Cia. Arte Produções, tendo à frente o produtor cultural Darley Quintas e o coreógrafo Maurício Quintairos.

No domingo (23), Kiko Brown lançou em Belém, no hall de entrada do Sylvia Nunes, o “Dança de Rua”, da editora Átomo, de autoria de Brown e de Ana Cristina Ribeiro, também professora e dançarina da Cia Eclipse Cultura e Arte. O livro é considerado o primeiro livro brasileiro de Dança de Rua. No festival, ele também vai falar aos participantes do workshop sobre as inúmeras possibilidades do Hip Hop Mix, coreografia dinâmica, que utiliza diversos estilos da dança de rua, como popping, locking, breaking e Hip Hop Dance. As tendências da atualidade no mundo das danças urbanas são as referências para o workshop.

É o segundo ano consecutivo que Kiko Brown participa do Dança Pará Festival, onde também apresentará o solo “Dança de Rua e suas Faces”, pela Cia Eclipe, no qual utiliza várias técnicas para mostrar que um corpo pode se expressar das mais diferentes formas. O Krump, explica, originou-se em 1992, mais precisamente no bairro de South Central, em Los Angeles, na Califórnia, sendo constantemente apresentado em competições. “Sua característica é ser rápido e incluir contato físico entre os dançarinos em movimentos agressivos que lembram uma luta real”, detalha.

Kiko Brown conheceu de perto o trabalho dos paraenses, ano passado, quando participou como jurado do Dança Pará e viu de perto apresentações de grupos e de solistas, constatando “tamanha variedade e criatividade dos grupos de Belém do Pará e região”. Um dos idealizadores do “Campinas Street Dance Festival” e do maior evento de Hip Hop do País, o “Battle of the Year Brazil (Boty Brasil)”, o professor conta que recebe crews (equipes) de B.Boys (abreviação de Break Boy, dançarinos de hip hop) de toda a América Latina e, em especial, do Pará. “Os paraenses sempre desenvolvem shows e coreografias de alto nível”, elogia.

Paraense Ivan Pires foi classificado e segue para Alemanha

Um dos participantes do “Battle” este ano foi o paraense Ivan Pires, do Amazon Crew, um dos mais destacados grupos de Dança de Rua do Estado do Pará, fundado em 2006, sendo selecionado e classificado para a final, na Alemanha, agendada para o próximo mês. O grupo se destacou em outros momentos, como, em 2010, na final internacional do “Red Bull BC One”, em Tóquio (Japão) e, em 2011, na eliminatória latino-americana da competição, em Salvador (BA), onde conquistou o 2º lugar. O “Red Bull” é a competição mais importante na categoria individual (B.Boys) e reúne os 16 melhores dançarinos do mundo; já a “Battle of the Year” é a mais importante por equipe (Crew).

O show premiado internacionalmente do Amazon Crew será mostrado nos 20 anos do Dança Pará Festival. É um trabalho inovador e criativo, com coreografia de Kleber Gonçalves, que conduzirá a crew com habilidade e dinamismo. A coreografia reúne toda a experiência da equipe, obtida durante um longo período de estudo e pesquisa, mostrando a grande influência que a arte marcial tem na dança de rua.

“O Dança Pará Festival ajudou muito nosso crescimento. É o principal festival de dança do Estado, que valoriza a dança de rua em todos os seus estilos. Agradeço ao Darley e ao Maurício pela oportunidade de participar do evento, onde, em 2007, conquistamos o 1º lugar, que serviu de grande motivação e estímulo para as nossas conquistas nacional e internacional”, avalia Ivan Pires.

Visão profissional da dança com organização e planejamento

Ivan Pires relata que iniciou na dança de rua em 1983, época em que o movimento era conhecido como breakdance. “Foi um nome que a mídia colocou, mas, na verdade, os estilos que praticávamos eram Popping, Locking e B.boy”, relembra, contando que foi por volta de 1997 que a fase da dança B.Boy iniciou, efetivamente, em Belém, na praça do bairro de São Brás, sempre acompanhando a evolução da dança de rua no resto do Brasil. Em 2006, Ivan Pires fundou a “Crew Amazon B.Boy” (Amazon Crew) implantando uma visão profissional de dança com organização e planejamento.

O panorama do Hip Hop no Brasil, observa Kiko Brown, está em plena ascensão como movimento cultural e social, conquistando visibilidade e respeito das autoridades políticas e da sociedade como um todo, por meio de ações cada vez mais relevantes para o nosso país, seja na transformação social ou até na formação de professores, artistas e ídolos, que servem como agentes motivacionais para as novas gerações. “Para muitos, o Hip Hop se tornou até uma ferramenta de ascensão social, assim como o esporte, a música…”, resume.

“O movimento está evoluindo e amadurecendo, temos várias iniciativas onde estão divulgando mais a cultura Hip Hop e a Crew Amazon B.Boy faz parte desse crescimento como um dos elementos da cultura Hip Hop, que é a dança break. Em nossos eventos, reunimos todos os elementos da cultura, como o break, o grafiti, os DJs e os MCs. Também contribuímos produzindo eventos. Temos um projeto social chamado Kurumim Crew, com uma equipe com 35 alunos onde trabalhamos a renovação da crew, mantemos aulas gratuitas para alunos de escolas públicas”.

Ivan Pires ressalta que o Dança Pará é um evento pioneiro e tem grande contribuição na fomentação e disseminação das danças como um todo e em especial as Danças Urbanas: “Posso afirmar que muitos pais não gostavam deste estilo de dança, mas, ao ter a oportunidade de ver seu filho ou filha em um palco tão importante, mudaram instantaneamente seu ponto de vista e passaram a se orgulhar e comentar com outros pais. Isto fez com que a aceitação aumentasse e o número de praticantes se multiplicasse. Graças a Deus existem pessoas que se propõem a fazer eventos de qualidade em espaços que dignificam os dançarinos”.

Entre os demais artistas convidados do festival estão Eleusa Lourenzoni (SP), Ana Mendes (AM), Analay Saiz (Cuba), Santiago Gil (Equador), Vinicius Villiger (RJ) e Flavia Teixeira (RJ), Ana Bottosso (SP), Ana Vládia (CE) e Paulo Lima (CE), que, vão dançar no Teatro Maria Sylvia Nunes (Estação das Docas), de 23 a 26 de outubro, como convidados especiais das mostras de dança. No palco do Sylvia Nunes também acontecem apresentações das companhias convidadas e do concurso, cujas modalidades são Baby Dance, Terceira Idade, Dança Para Pessoas com Deficiência, Ballet de Repertório, Folclore/Popular, Jazz, Ballet Clássico, Sapateado, Dança de Salão, Dança de Rua, Contemporânea e Gospel. Já os workshops ocorrerão na terça-feira, dia 25, no Instituto de Artes do Pará.

PARTICIPE

O DANÇA PARÁ Festival 2011 – 20 anos segue até o dia 26 de outubro de 2011, no Polo Joalheiro, Sylvia Nunes, Memorial dos Povos e IAP. A entrada para as mostras de Dança e concurso, na Estação das Docas, custa R$ 20 (com meia-entrada para estudantes) e pode ser adquirida na bilheteria do teatro. Informações: 9605-5360, 9966-0101, 8201-3973, [email protected] e www.wix.com/dancaparafestival/2011

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