O pai do hip hop brasileiro é sertanejo. O pernambucano Nelson Gonçalves Campos Filho nasceu no Sítio Caldeirão, em Triunfo, no dia 28 de outubro de 1954. “Eu era elogiado em Triunfo por professores que não elogiavam ninguém. Até o que não era para ler, eu lia. Estava sempre com as revistas Cruzeiro e Manchete debaixo do braço, também assistia a muitos filmes”, diz o dançarino, cantor, produtor cultural e educador social Nelson Triunfo. A imagem de Nelson – com seu magnífico black power e sua ginga de b-boy veterano e precursor – é hoje a representação dessa cultura que o brasileiro tomou emprestada dos negros da periferia norte-americana, para moldar na forma da periferia de suas grandes metrópoles. Depois dos anos 1970, foi a primeira vez que o artista comemorou aniversário em Pernambuco (56 anos, na última quinta-feira). Saiu de sua cidade natal para Paulo Afonso e, em 1977, foi morar em São Paulo. Também é a primeira vez que recebe homenagem no estado, à altura de sua notoriedade nacional.

NELSON TRIUNFONelson Triunfo é o homenageado do Festival Internacional de Dança do Recife e se apresenta hoje, às 23h, na Rua da Moeda, (Bairro do Recife), no encerramento da programação do evento. Estará acompanhado por um grupo de dançarinos, incluindo seu filho de sete anos, que é uma das promessas da breakdance paulista. “Meu grupo é como um time de futebol. Sempre mudo dois, três integrantes a cada show, para dar oportunidade a outros. É um celeiro de artistas novos e eu sou como um técnico que revela vários jogadores”, diz.

Mesmo sendo pernambucano e o Recife um polo importante do hip hop nacional, Nelson Triunfo esteve poucas vezes aqui. “Eu acho que Pernambuco, de forma geral, não conhece 10% de quem é Nelson Triunfo. Era preciso ver o quanto eu colaborei para a cultura do país. O meu hip hop fala de Luiz Gonzaga”, argumenta o militante mais considerado do hip hop nacional. confira Como Criar Blog WordPress.org

Nelson conseguiu o título de “pai” do hip hop brasileiro por expor a dança de rua para o grande público. Sua militância começou em Paulo Afonso (BA) e continuou em São Paulo. Frequentou bailes e dançou nos palcos de nomes da soul funk music, como Gerson King Combo, Tony Tornado e banda Black Rio. No início dos anos 1980, desafiando a ditadura, levou com seus dançarinos os movimentos do break para as ruas de São Paulo, como se fazia no Bronx e em outros bairros negros e latinos de Nova York. A esquina das ruas 24 de maio com Dom José Gaspar foi o primeiro ponto. Quem estava produzindo de forma isolada passou a compartilhar sua produção ao lado da turma de Nelson Triunfo.

Defensor de um hip hop “tupiniquim”, Nelson Triunfo diz que venceu o preconceito de ser nordestino. “Em São Paulo, quando dançava, pensavam que eu era gringo, mas não queriam que eu abrisse a boca, para não descobrirem que era nordestino. Fui o primeiro cara a assumir de verdade que existia rap no Brasil. Que nosso repente, embolada, é rap. Hoje sou muito querido”, encerra o mestre.

1 COMENTÁRIO

  1. Sou nascido em Triunfo, mas morei maior parte de minha vida em Santa Cruz da Baixa Verde e Serra talhada. Atualmente estou em SP, há 4 meses…
    Tenho muita vontade de aprender essa dança, essa cultura…
    Vou procurar aprender em casa mesmo, pois não conheço quem possa me ajudar ou aprender comigo!

    Parabéns pra esse cara, tá ai pra provar o valor dos Nordestinos pra diversas culturas no nosso país. E pra acabar também com o preconceito que ainda existe muito.

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